terça-feira, 25 de novembro de 2008

Co-culpabilidade

Começo com uma citação retirada do texto "A REFORMA DO PODER JUDICIÁRIO" de Carmem Lucia Antunes Rocha:

"(...) No Brasil, o Poder Público sempre foi muito pouco público e sempre quis ser muito poder. Nesta condição, aquele que o exerce não o faz em nome do povo na verdade. Povo é apenas um apelido mal cunhado, que não traduz a essência do exercício do poder do Estado na história nacional. (...)

O papo hoje é estatal, até d+.

Mas como tratar a criminalidade de forma privada?

Dentro do âmbito familiar, com certeza é uma resposta. Mas, qual a condição familiar prevalecente hoje no Brasil?

Sinto a falência da família brasileira em cada sinal de trânsito que paro, e logo vem correndo uma criança me vender uma bala.

Lugar de criança é na rua??? Vendendo bala no sinal???

O Poder Público contribui, e muito, com a atual situação das famílias de baixa renda. Muitas pessoas vivendo juntas, em barracos insalubres, procriando feito coelhos, transmitindo de pai pra filho agressões e ofensas. Muitas crianças de periferia ganham revólver, ao invés de um PC. Ganham tapa na cara, ao invés de afago. Ganham ofensa e humilhação, ao invés de apoio.

Como consequência disso, temos um aumento indiscrimando da violência e do banditismo.

Mas, a culpa é de quem???

Muito fácil falar que as famílias desestruturadas são responsáveis por isso, mas elas não estão sozinhas.

Em um país onde a corrupção foi legalizada; onde 'dar um jeitinho' é mais comum do que fazer do jeito certo; onde temos medo de chamar a polícia em caso de assalto...

Podemos exigir o quê das famílias???

Que elas impeçam seus filhos de levar pra casa um botijão de gás, o remédio da pressão alta, o pão nosso de cada dia, a carninha pra assar no domingo. ?!?!?!?!

No país onde o Público é só PODER, o que será feito do privado???


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