Bom dia semana!!!
Semana começou bem, ao som de Mallu Magalhães e Nouvelle Vague.
Mas tinha que começar ao som de música muito boa, para compensar a sexta regada a muito Rock'n Rooll.
Diga-se de passagem rock bem tocado!!!
Há muito tempo não ouvia Raul Seixas, e sexta foi o dia...dia de ouvir Raul.
Há quem diga que baiano não sabe fazer rock (bobões, lógico).
Rock não tem limitações geográficas, muito menos preconceitos com relação a cor, raça ou sotaque.
Durante muito tempo o rock foi mal visto, e considerado a música do satã. Mas será que é mesmo?
De certo modo, Jesus Cristo também foi mal visto, e até crucificado. Era o must da subversão em sua época...será que ele era marginal???
Creio que marginal como o rock.
Tudo que vem pronto, numa embalagem tetra-pack, com uma logomarca enorme e conhecida parece ser mais fácil de consumir.
Só parece...porque a longo prazo se vê o resultado nocivo de tudo que vem pronto para o consumo.
A música se enquadra nesse raciocínio de consumo pronto. E o rock foi exemplo do que não veio pronto, a não ser pela beleza de Elvis Presley, que já veio ao mundo lindo e com uma voz deslumbrante.
Mas e o Raul?
Foi o símbolo da subversão musical brasileira, até a Rede Globo pôr a mão, e lançar suas músicas pela Som Livre.
Na época de Raul, a Bossa Nova era o som da elite intelectual, dos universitários cult, que achavam o rock coisa suja (no sentido literal e musical). Mas, qual era a música do povão?
O som feito pela Jovem Guarda, juntamente com sertanejo de Chitãozinho e Xororó (e seus comparsas), e as loucuras da Tropicália.
Época de contra-cultura, mas como bom subversivo que era, Raul também cantou as mazelas brasileiras e criticou a política imposta.
Se alguém duvidar, que vá ouvir as músicas de Raul. Procure saber o que foi feito em seu país, e não veio em uma embalagem bunitinha, com a bundinha de fora, prontinho pro consumo no domingo a tarde.
Ouçam boas músicas, as difíceis de encontrar...fuxiquem o baú da subversão!
Boa jornada pelo mundo da música!!!
E, em homenagem ao Raul, suas aventuras na cidade de Thor:
"Tá "rebocado" meu "cumpadi"?
Como os donos do mundo piraram?
Eles já são carrascos e vítimas do próprio mecanismo
que criaram!
O monstro Ciste é "retado", e tá doido pra transar
comigo
E sempre que você dorme de touca, ele fatura em cima
do inimigo.
A Arapuca está armada, e não adianta de fora
protestar,
Quando se quer entrar num buraco de rato,
De rato você tem que transar!
Buliram muito com o planeta,
O planeta como um cachorro eu vejo,
Se ele já não aguenta mais as pulgas, se livra delas
no "saculejo"!
Hoje a gente já nem sabe,
De que lado estão certos cabeludos, tipo
estereotipado,
Se é da direita ou da traseira,
Não se sabe lá mais de que lado!
Eu que sou vivo pra cachorro,
Quando eu tô longe eu tô perto,
Se eu não tiver com Deus mo fio eu tô sempre aqui com o
olho aberto!
A civilização se tornou tão complicada,
Que ficou tão frágil como um computador,
Que se uma criança descobrir o calcanhar de Aquiles,
com um só palito fará um doutor.
Tem gente que passa a vida inteira,
Travando a inútil luta com os "galhos",
Sem saber que é lá no tronco que tá o coringa do
baralho!
Quando eu compus, fiz, "Ouro de Tolo",
Uns imbecis me chamaram de profeta do apocalipse,
Mas eles sõ vão entender o que eu falei,
No esperado dia do eclipse!
Acredite que eu não tenho nada a ver,
Com a linha evolutiva da música popular brasileira,
A única linha que eu conheço,
É a linha de empinar uma bandeira!
Eu já passei por todas as religiões,
Filosofias, políticas e lutas,
Aos 11 anos de idade eu já desconfiava da verdade
absoluta!
Raul Seixas e Raulzito sempre foram o mesmo homem,
Mas pra aprender o jogo dos ratos,
Transou com Deus e com o Lobisomem."
